terça-feira, 15 de julho de 2008

Inspiração

Pequeno poema didático

O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconseqüente conversa

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!

Mário Quintana

(Não dei explicação alguma para a mudança de blog - não gosto muito de dar explicações quanto as coisas se explicam por si mesmas-, mas o título para o blog foi inspirado neste poema.)

3 comentários:

Marie Tourvel disse...

E que lindo poema, Lelê. Olha, você é uma referência pra mim, viu? Leio seu blogue com gosto. Horas Extremas é leitura obrigatória. Um grande beijo, querida.

Philippe disse...

O que será que ele quis dizer com "a vida é indivisível"? Não devemos separar os momentos da vida em fases, porque todas elas fazem parte de uma coisa única, e ela não deve ser pensada (e vivida?) em fragmentos? A vida é única e atômica. Assim como a morte não é simplesmente o fim, mas faz parte do todo. Morremos um pouco cada dia. Estou viajando muito? rs... Este seu conterrâneo é bom, hein? Preciso conhecê-lo melhor. Um beijo.

Lelê Carabina disse...

Bah Marie, obrigada, fico muito feliz pela tua visita! Que responsabilidade a minha hein! rsrs
Philippe, Quintana não é apaixonante mesmo? E olha que demorei para dar atenção a este gaúcho ilustre rsrsrs Não sou entendida no poeta, mas entendo que é isto mesmo, a vida como única e eterna, este negócio de dividir em fases talvez seja para fins "didáticos" humanos. E poemas são justamente para viajar mesmo! rsrs =)